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DeSaCeRtO

Histórias, estórias, verdades, ficções, autores, artistas, literatura e música. Diversidade sem tabus

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12 Mai, 2022

Sorte

Jorge Santos

   A Sorte virou-lhe as costas. Foi embora.
  Deixou a voz de falsete colada às paredes ansiosas, lançou-lhe uma mirada míope, carregada de desdém e partiu.
  Ele sempre desejou a Sorte, com a força de todos os sentidos.
  Femeeiro como é, até esqueceu a frigidez e torpeza da figura. Que todos querem, sem sequer lhe conhecerem o empinado nariz,  pendurado num rosto de sorrisos omissos, como um recital de doidos.
  Ego absurdo, vida celibatária. Atirou-lhe, como quem liberta um flato:
   - Vou para a enseada dos sonhos adiados. Adeus!
  Ele ficou, ali, parado, a vê-la partir. O desejo esfumou-se com a tortura da despedida consentida.
   - Então, é aquilo a Sorte ?! - Murmurou  com resignação.

                                                       

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